Ser batizado é, para milhões de cristãos ao redor do mundo, uma das maiores declarações públicas de fé em Jesus Cristo. No Irã, porém, esse mesmo ato pode ser tratado como um crime.
No fim de 2025, cinco cristãos iranianos foram condenados a penas que, somadas, ultrapassam cinquenta anos de prisão. Entre as acusações apresentadas pelas autoridades estavam a realização de batismos, reuniões de oração, celebrações da Ceia do Senhor, evangelismo, distribuição de Bíblias e participação em igrejas domésticas. Atividades comuns para qualquer igreja passaram a ser classificadas pelo governo como ameaças à segurança nacional.
O caso voltou a chamar a atenção de organizações internacionais que acompanham a liberdade religiosa no país e reforça um cenário de perseguição que se intensifica ano após ano.
Quem são os cristãos condenados
Entre os condenados estão o pastor Joseph Shahbazian, sua esposa Lida Shahbazian, o conhecido cristão Nasser Navard Gol-Tapeh e Aida Najaflou. A identidade de uma quinta cristã foi preservada por questões de segurança.
Alguns deles já haviam passado anos presos anteriormente por causa de sua fé. Mesmo depois de deixarem a prisão, continuaram sendo monitorados pelas autoridades iranianas.
Segundo organizações que acompanham o caso, as sentenças variam entre oito e quinze anos de prisão. Em alguns casos, as condenações foram ampliadas por suposta propaganda contra o sistema e por alegações de conspiração contra a segurança do Estado.
Quando o batismo passa a ser considerado um crime
A Constituição do Irã reconhece oficialmente apenas algumas comunidades cristãs históricas, como armênios e assírios. Ainda assim, essas igrejas enfrentam diversas limitações e são proibidas de evangelizar muçulmanos.
O problema se torna ainda mais grave quando um iraniano nascido em família muçulmana decide seguir a Cristo.
Embora a apostasia não esteja claramente prevista no Código Penal iraniano, a conversão do islamismo ao cristianismo é vista pelo regime como uma afronta ao Estado islâmico. Nesse contexto, o batismo deixa de ser apenas um símbolo religioso e passa a ser interpretado pelas autoridades como a confirmação pública de uma conversão considerada ilegal.
Por isso, quem batiza ou é batizado pode passar a ser alvo dos órgãos de segurança.
Na prática, o simples ato de declarar publicamente a fé em Jesus pode desencadear interrogatórios, prisões e longos processos judiciais.
Igrejas domésticas continuam sendo o principal alvo
Grande parte dos cristãos convertidos do islamismo não frequenta templos tradicionais.
Como muitas igrejas registradas não podem receber ex-muçulmanos, os cultos acontecem em casas, de forma discreta. Essas reuniões incluem oração, estudo da Bíblia, louvor, comunhão e, em alguns casos, batismos.
É justamente esse ambiente que os serviços de inteligência iranianos procuram desmantelar.
Invasões durante cultos, apreensão de Bíblias, confisco de celulares e computadores e longos interrogatórios fazem parte da rotina enfrentada por muitos cristãos iranianos.
As acusações normalmente utilizam termos como propaganda contra o sistema, atuação contra a segurança nacional e promoção de organizações ilegais. Na prática, essas expressões têm sido usadas para criminalizar o exercício pacífico da fé cristã.
A perseguição continua crescendo
O caso dos cinco cristãos condenados não representa um episódio isolado.
Relatórios divulgados por organizações internacionais mostram que somente em 2025 centenas de cristãos foram presos no Irã e que as condenações somaram mais de 280 anos de prisão.
A maior parte dos processos envolve exatamente os mesmos motivos. Conversões do islamismo ao cristianismo, participação em igrejas domésticas, evangelismo e realização de batismos.
Enquanto em muitos países o batismo é celebrado como uma festa da fé, no Irã ele pode marcar o início de uma perseguição que leva famílias inteiras aos tribunais e às prisões.
Ainda assim, apesar da pressão constante, milhares de iranianos continuam encontrando em Jesus uma esperança que nem a vigilância do Estado consegue apagar.
A história desses cinco cristãos mostra que, para muitos seguidores de Cristo no Irã, declarar publicamente a própria fé continua tendo um preço muito alto. Mesmo diante da possibilidade de perder a liberdade, eles seguem firmes, lembrando ao mundo que a perseguição religiosa permanece sendo uma realidade para milhares de cristãos no século XXI.
