A Páscoa deveria ser, para todo cristão, o ápice da esperança. É o anúncio da vida que venceu a morte, da luz que rompeu as trevas, da redenção consumada em Cristo. No entanto, para milhões de irmãos ao redor do mundo, essa mesma celebração se tornou também um dos períodos mais perigosos do ano.
O recente artigo da Portas Abertas expõe uma realidade dura: aquilo que para muitos é culto, comunhão e celebração, para outros é risco, medo e até martírio. Durante a Semana Santa — especialmente no Domingo de Ramos, Sexta-Feira da Paixão e Domingo de Páscoa — igrejas lotadas se tornam alvos estratégicos para ataques extremistas.
Não é coincidência. É intencional.
A Páscoa concentra o maior número de cristãos reunidos. Ela declara, de forma pública e poderosa, que Jesus Cristo vive. E é exatamente essa proclamação que incomoda, confronta e, em muitos contextos, provoca violência.
A fé que atrai perseguição
Ao longo da história, a igreja nunca foi perseguida por ser irrelevante, mas por ser viva. A mensagem da cruz e da ressurreição confronta sistemas, ideologias e estruturas que rejeitam o senhorio de Cristo.
Hoje, essa realidade se intensifica em regiões onde o extremismo religioso, o nacionalismo ideológico ou regimes autoritários enxergam o cristianismo como ameaça. Em muitos desses lugares, celebrar a Páscoa não é apenas um ato de fé — é um ato de coragem.
Há igrejas que precisam instalar detectores de metal. Outras reduzem cultos. Algumas sequer se reúnem. E há aquelas que, mesmo sob risco iminente, continuam se encontrando — conscientes de que podem pagar o preço mais alto.
O contraste que expõe o mundo
Enquanto parte da igreja global discute programações, figurinos e estratégias de Páscoa, outra parte ora para sobreviver até o domingo.
Esse contraste deveria nos constranger.
A mesma data que, para muitos, se tornou simbólica e até comercial, permanece profundamente espiritual — e perigosamente real — para a igreja perseguida. Eles não celebram apenas um evento histórico. Eles vivem, na própria pele, a mensagem da cruz: sofrimento, renúncia e fidelidade.
E ainda assim, celebram.
Um chamado à consciência e ação
Diante disso, não podemos permanecer indiferentes.
A Páscoa não pode ser apenas lembrada — precisa ser assumida. Assumida como compromisso com o Corpo de Cristo, que sofre. Assumida como responsabilidade de interceder, informar e agir.
Se Cristo morreu e ressuscitou por uma igreja, essa igreja é uma só.
Orar pelos perseguidos não é um gesto opcional, é um dever espiritual. Compartilhar essa realidade não é alarmismo, é consciência. Apoiar essa causa não é caridade, é comunhão.
Conclusão: a cruz continua sendo escândalo
A cruz ainda escandaliza. A ressurreição ainda confronta. E a igreja continua sendo perseguida.
Mas também continua viva.
Porque o Cristo que venceu a morte segue sustentando seu povo — seja em templos livres ou em igrejas sob ameaça.
Nesta Páscoa, que a nossa fé não seja apenas celebrada.
Que ela seja posicionada.
Que ela seja comprometida.
Que ela seja, como a dos nossos irmãos perseguidos, inegociável.
Diogo Arraiol - 03/04/2026
Fundador da Missão SAL & LUZ
