A Jordânia é conhecida por manter uma postura de diálogo entre diferentes religiões e por permitir que comunidades cristãs históricas pratiquem sua fé. Mas isso não significa que todos os cristãos tenham liberdade para viver o cristianismo sem medo.

A situação é especialmente difícil para os cristãos convertidos do islã. Para muitos deles, seguir Jesus pode significar enfrentar rejeição da própria família, perda do trabalho, isolamento, ameaças e até violência.

A Igreja Perseguida na Jordânia vive uma realidade que muitas vezes não aparece nas notícias. A perseguição nem sempre acontece nas ruas. Em muitos casos, ela começa dentro de casa.

Quem são os cristãos na Jordânia?

A maior parte dos cristãos jordanianos pertence a igrejas históricas, principalmente ortodoxas e católicas romanas. Essas comunidades possuem presença pública e, de maneira geral, conseguem realizar seus cultos.

O cenário muda quando falamos de cristãos que deixaram o islã e passaram a seguir Jesus.

Esses cristãos podem ser vistos pela própria família como alguém que trouxe vergonha para a casa. Em uma sociedade onde a religião está profundamente ligada à família e à identidade social, a conversão pode provocar uma reação muito forte.

Por isso, muitos cristãos perseguidos na Jordânia preferem manter sua fé em segredo.

Como acontece a perseguição aos cristãos na Jordânia?

A perseguição pode assumir diferentes formas.

Entre os principais problemas estão a pressão familiar, discriminação no trabalho, vigilância, dificuldades para evangelizar e ameaças de grupos extremistas.

Um dos maiores desafios é a chamada opressão do clã. Quando uma pessoa abandona o islã, parentes podem tentar obrigá-la a voltar à antiga religião.

Em alguns casos, o cristão é expulso de casa, perde o apoio financeiro da família ou passa a ser completamente isolado.

Para quem depende dos familiares para morar, estudar ou trabalhar, essa pressão pode ser devastadora.

Cristãos convertidos do islã enfrentam maior risco

A situação dos convertidos é uma das maiores preocupações para a Igreja Perseguida no Oriente Médio.

Um cristão que nasceu em uma família cristã pode conseguir participar de uma igreja publicamente. Já aquele que nasceu muçulmano e decidiu seguir Jesus pode precisar esconder sua decisão.

O medo não está apenas na reação das autoridades. Muitas vezes, o maior perigo está dentro da própria família.

Convertidos podem enfrentar ameaças, agressões, isolamento e expulsão de casa. Em situações extremas, existe risco de violência fatal.

Por isso, muitos deles precisam viver a fé de maneira discreta.

Mulheres cristãs são especialmente vulneráveis

As mulheres que deixam o islã para seguir Jesus estão entre as mais vulneráveis à perseguição religiosa na Jordânia.

A pressão pode vir da família e incluir controle sobre onde elas vão, com quem conversam e até com quem podem se casar.

Algumas podem sofrer violência física, abuso psicológico, assédio sexual ou casamento forçado.

Também existem situações em que questões relacionadas ao casamento e à guarda dos filhos são usadas para aumentar a pressão sobre mulheres cristãs convertidas.

Na prática, uma mulher pode ter de escolher entre revelar sua fé e colocar sua própria segurança em risco.

E os homens cristãos?

Os homens também enfrentam dificuldades.

Convertidos podem sofrer pressão para abandonar a fé cristã, perder oportunidades profissionais ou ser chamados para interrogatórios pelas autoridades.

Líderes cristãos envolvidos com evangelismo também podem chamar a atenção das autoridades e enfrentar maior vigilância.

A pressão financeira é outro problema. Quando um homem perde o emprego ou sofre discriminação profissional por causa da fé, toda a família pode ser afetada.

Evangelizar pode trazer problemas

A liberdade religiosa na Jordânia não deve ser confundida com liberdade irrestrita para evangelizar.

Igrejas históricas possuem maior reconhecimento e espaço público. Já comunidades cristãs menores, principalmente aquelas envolvidas com evangelismo, podem enfrentar dificuldades com autoridades.

Isso cria uma situação complicada para quem deseja compartilhar o evangelho.

O cristão pode ter liberdade para participar de um culto, mas encontrar limites quando tenta falar abertamente sobre sua fé com muçulmanos.

O impacto do conflito em Gaza

O conflito entre Israel e Hamas também aumentou as tensões políticas e religiosas na região.

Na Jordânia, o conflito contribuiu para o fortalecimento de sentimentos nacionalistas e religiosos em determinados setores da sociedade. O apoio ao Hamas e manifestações contra Israel ganharam espaço, enquanto boicotes a empresas internacionais também se tornaram mais comuns.

Esse ambiente pode aumentar a pressão social sobre os cristãos e tornar ainda mais difícil a convivência entre diferentes comunidades religiosas.

É importante, porém, não colocar todos os muçulmanos na mesma categoria. A perseguição aos cristãos não pode ser usada para alimentar ódio contra uma religião inteira. O problema está principalmente no extremismo, na coerção religiosa e na intolerância.

Quem persegue os cristãos na Jordânia?

A perseguição aos cristãos no país não possui uma única origem.

De acordo com a classificação utilizada pela Portas Abertas, existem diferentes formas de pressão, incluindo:

Opressão do clã: pressão exercida pela família e pela comunidade para que o cristão abandone sua fé.

Opressão islâmica: pressão e hostilidade relacionadas a interpretações radicais do islã.

Paranoia ditatorial: vigilância e controle exercidos pelas autoridades.

Protecionismo denominacional: situações em que determinadas comunidades religiosas recebem mais proteção ou reconhecimento do que outras.

Isso mostra que a perseguição religiosa na Jordânia é complexa. Ela não acontece apenas por meio de violência física. Muitas vezes, começa com pressão, isolamento e controle.

A Igreja Perseguida continua firme

Mesmo diante dessas dificuldades, cristãos jordanianos continuam seguindo Jesus.

Alguns fazem isso publicamente. Outros precisam viver sua fé de maneira muito mais discreta.

A realidade desses irmãos nos lembra que perseguição não significa apenas prisão, tortura ou morte.

Também existe perseguição quando alguém é rejeitado pela própria família por causa de Cristo.

Existe perseguição quando uma mulher perde sua liberdade porque decidiu seguir Jesus.

Existe perseguição quando um cristão precisa esconder sua Bíblia para não ser descoberto.

E existe perseguição quando alguém perde oportunidades simplesmente por causa de sua fé.

Como podemos ajudar os cristãos perseguidos na Jordânia?

A primeira forma de ajudar é orar.

Ore pelos cristãos convertidos do islã. Ore por mulheres que enfrentam pressão dentro de casa. Ore pelos líderes das igrejas e por aqueles que evangelizam.

Ore também para que Deus dê sabedoria às autoridades e preserve a liberdade religiosa no país.

Organizações como a Portas Abertas trabalham com parceiros locais para fortalecer a igreja e ajudar cristãos que enfrentam situações de necessidade.

A Igreja Perseguida precisa ser lembrada pela Igreja livre.

Não podemos esquecer nossos irmãos simplesmente porque a perseguição acontece longe de nós.

“Não tenham medo dos que matam o corpo e depois nada mais podem fazer.”
Lucas 12:4

A Jordânia pode parecer distante. Mas os cristãos que vivem ali fazem parte do mesmo corpo de Cristo.

Eles precisam das nossas orações.

Ore pela Igreja Perseguida. Compartilhe esta informação. Ajude outras pessoas a conhecerem a realidade dos cristãos que vivem por sua fé.