Ataque coordenado em três igrejas no estado de Kaduna resulta no sequestro de 177 pessoas, gerando ampla condenação da comunidade cristã e pedidos por ação imediata das autoridades.
Em um dos episódios mais alarmantes de violência contra comunidades religiosas no início de 2026, homens armados invadiram três igrejas no domingo, 18 de janeiro, no vilarejo de Kurmin Wali, na área de Kajuru, estado de Kaduna (norte da Nigéria), e sequestraram cerca de 177 cristãos que participavam de cultos religiosos. A maioria permanece em cativeiro até o momento, enquanto familiares e líderes clamam por resgate e ação governamental eficaz.
O que aconteceu
O ataque aconteceu quase simultaneamente nas três igrejas:
- Evangelical Church Winning All (ECWA)
- Cherubim and Seraphim Church
- Igreja Católica local
Os sequestradores cercaram os templos durante os cultos dominicais e forçaram os fiéis a saírem, levando muitos deles em caminhadas forçadas até áreas de floresta próximas. Apenas 11 pessoas conseguiram escapar, segundo relatos de autoridades locais, deixando 168 ainda desaparecidos.
Negação inicial e confirmação posterior
Inicialmente, a polícia estatal e autoridades locais negaram que o sequestro tivesse ocorrido, descrevendo as informações como boatos e levando a um debate público acalorado. Porém, após pressão de líderes comunitários e relatos de sobreviventes, a Força Policial Nigeriana confirmou oficialmente que a abdução ocorreu e foi real, admitindo que a investigação foi necessária antes de anunciar os fatos em público.
Reação das autoridades cristãs
A Christian Association of Nigeria (CAN) — principal organismo que representa igrejas no país — tem organizado orações especiais e eventos de jejum para a libertação segura dos 177 fiéis sequestrados. Um encontro de oração foi realizado na Tawaliu Baptist Church em Maraban Kajuru, reunindo líderes religiosos e familiares das vítimas, que clamam por resposta divina e ação imediata das autoridades.
Líderes cristãos também condenaram fortemente o ataque, considerando o sequestro um sinal da crescente insegurança que afeta comunidades fiéis no norte da Nigéria. A Southern Kaduna Christian Leaders Association e outras organizações elogiaram as igrejas pela mobilização espiritual, mas destacaram a necessidade de medidas de segurança adicionais nos lugares de culto.
Pressão nacional e internacional
O episódio chamou atenção também fora das fronteiras nigerianas. Grupos de direitos humanos, associações religiosas e até governos estrangeiros têm manifestado preocupação com a segurança de minorias religiosas no país. A Amnesty International criticou a resposta inicial das autoridades e cobrou maior proteção de civis.
Além disso, organizações da diáspora e de advocacia lançaram petições pedindo uma investigação pública independente sobre o ataque e as circunstâncias que permitiram que um sequestro em massa desse tipo ocorresse durante serviços religiosos pacíficos.
Contexto de violência em Kaduna
A violência armada e a insegurança no estado de Kaduna não são fenômenos isolados. A região tem enfrentado uma série de ataques por grupos armados, muitas vezes referidos como “bandits”, e conflitos entre comunidades étnicas com motivações múltiplas — econômicas, territoriais e religiosas. Esse padrão tem resultado em sequestros, assassinatos e deslocamentos de civis nos últimos anos.
Apelo por ação e esperança
Na ausência de reivindicação de responsabilidade pelos sequestradores, ainda não há informações claras sobre exigências de resgate ou motivações específicas do grupo responsável. Enquanto isso, familiares vivem em angústia pela segurança dos entes queridos, comunidades religiosas reforçam a importância de segurança nos locais de culto, e a população clama por ações de resgate e proteção por parte das autoridades nigerianas.
A igreja no país e no exterior permanece em oração e mobilização espiritual, pedindo que os 177 cristãos retornem em segurança para suas famílias e que a violência religiosa que afeta o país seja tratada com urgência e seriedade pelas autoridades nacionais e organismos internacionais.
Fonte: Open Doors UK, Associated Press (AP), Reuters, Christian Association of Nigeria, polícia nigeriana — confirmando o sequestro após negação inicial.
